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Exclusivo: Carine Bosetti, técnica do Napoli-SC, fala sobre ser a primeira técnica mulher campeã brasileira da Série A2

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A treinadora conversou com o Olimpia Sports sobre o trabalho que levou ao título brasileiro

Depois da vitória e do desempenho incrível do Napoli-SC no Brasileirão Feminino Série A2, que levou as mulheres catarinenses ao título nacional e ao acesso a elite do futebol brasileiro, a primeira mulher a treinar uma equipe campeã brasileira tem muito o que comemorar. O nome dela é Carine Bosetti, ela apostou na carreira como técnica depois da aposentadoria no futsal e hoje é a atual treinadora do Napoli-SC. Em conversa com o Olimpia Sports, ela contou que tem o desejo de ficar na casamata do Napoli-SC para ajudar a equipe a se manter na série A1 em 2021. 

Muito acessível e simpática, Carine Bosetti se dispôs a falar conosco nesta segunda-feira pela manhã. Ainda comemorando o título, a técnica mostrou estar focada no trabalho com o Napoli-SC e já pensa na próxima temporada, inclusive nas novas contratações que devem ser anunciadas nos próximos dias. A competição nacional de elite começa em março e vai até setembro. A Série A2 de 2020 terminou no último domingo e as catarinenses não deixaram dúvida de que são as melhores ao vencerem o Botafogo nas duas partidas finais por 2 a 1. 

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Napoli-SC é campeão do Brasileirão Feminino Série A2

Sobre o título ela foi discreta, mas confessou que fica feliz em mostrar que as mulheres são competentes para estarem no futebol dirigindo equipes e ganhando títulos. “Ser campeã é um sentimento de muita realização. Todo mundo que trabalha busca o ponto mais alto que é o título e graças a Deus nós conseguimos conquistar. Fico muito feliz de representar as mulheres e também mostrar que a mulher é competente para estar no futebol, dirigir equipes e levá-las a títulos”, disse. 

Montando a equipe

A equipe o Napoli-SC foi montada para competir na Série A2, então os desafios começaram cedo. Primeiro para eleger as atletas, depois transformar elas em um grupo. “Desde o início foi de muito trabalho. Nós juntamos um grupo que ainda não se conhecia e tivemos que começar algo novo e dentro disso introduzindo algumas situações táticas, técnicas, físicas e psicológicas que ao longo do tempo foram somando uma a outra e fizeram toda a diferença para a conquista deste título”, disse a treinadora. 

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| Foto: Thais Magalhães / CBF

A partir daí foi preciso fazer com que todos, desde a comissão técnica até as atletas, acreditassem no potencial de cada uma e também do grupo. Começava outro desafio: o de afastar a desconfiança. “No início, como é algo novo, sempre tem aquela desconfiança, principalmente porque o nosso grupo é novo, e aos poucos foi se consolidando. Acredito que os resultados e os momentos bons que nós construímos dentro do campeonato foram dando confiança às meninas e com o tempo elas começaram a acreditar mais nelas também e no nosso trabalho. Por isso nós conseguimos excelentes resultado e o título”, contou Bosetti.

Segundo a treinadora, a parte psicológica e metal foi bastante trabalhada nas atletas para que elas não desistissem dos resultados, nem desanimasse ainda durante as partidas. Para Bosetti, isto foi colocado a prova na partida contra o Real Brasília. “Nós estávamos ganhando o jogo por 1 a 0 e acabamos levando o empate nos minutos finais do segundo tempo e fomos para os pênaltis. Ali foi uma carga tanto emocional quando física, técnica, tática, muito grande para nossa equipe, mas nos soubemos resistir e sair com a vitória nos pênaltis”, lembrou a treinadora. 

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O abraço que consagrou a vitória do Napoli-SC e levou ao título Brasileiro | Foto: Thais Magalhães / CBF

As finais

Nas duas últimas partidas, no entanto, nada de sustos. O Napoli-SC venceu o Botafogo tanto na ida, quanto na volta por 2 a 1. Na última partida o alívio chegou cedo, logo nos minutos iniciais o time catarinense abriu o placar com Aninha, que correu para o abraço da treinadora. Mas Rosetti lembra que o trabalho do início foi fundamental, estrutura, comissão técnica e atletas. “Em 2020 nós conseguimos montar uma comissão técnica, trazer atletas com objetivo dentro do futebol, atletas que vinham para acreditar no trabalho e que também buscavam sua ascensão no futebol feminino. Por isso eu considero muito importante pra minha carreira, porque foi meu primeiro trabalho, não em condições ideias ainda, mas em boas condições de trabalho”. Segundo Bosetti, é um ano que ficará marcado na sua carreira. 

De jogadora de futsal a técnica de futebol de campo

Ela conta que desde que entrou na faculdade de Educação Física, já dizia que seria técnica, porém não estava nos planos o futebol de campo, e sim o futsal, onde se destacou como jogadora do Kindermann. “Eu estudei muito. Eu comecei a me envolver mais com futebol na parte técnica em 2016, fui ser preparadora física do Kindermann e pude acompanhar também o trabalho do Jorge Barcellos. Eu busco fazer cursos para ir me especializando, mas há uma grande diferença em atuar como jogadora e depois como técnica. Como técnica tenho que tomar decisões que podem mudar os jogos tanto para o bem, quanto para mal. Toda essa gestão de grupo, buscar conhecimento sobre as adversárias, buscar conhecimentos para desenvolver as habilidades das atletas dentro de campo. Então a transição de jogadora para treinadora foi acontecendo aos poucos. Eu fui aceitando os desafios, buscando conhecimento para isso. Sou nova ainda dentro do futebol feminino como técnica, mas tenho buscado bastante conhecimento para cada vez mais melhorar minha atuação”, disse.

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Final do Campeonato Brasileiro Feminino A2 | Foto: Thais Magalhães / CBF

Novos desafios do Brasileirão A1

Sobre o Brasileirão A1 a técnica mostrou consciência de que o trabalho que vem pela frente é gigante. Segundo ela, o time tem como objetivo lutar para ficar entre as 8 melhores da primeira fase da competição.“Nós sabemos que a série A1 tem um nível técnico e tático totalmente diferente da séria A2. Lá estão as principais equipes do Brasil. Nós precisamos trazer alguns reforços, e não só isso, mas desenvolver também nosso jogo para buscar equivaler as forças dentro de campo, melhorar o entendimento das meninas em relação ao jogo para ter uma melhor resposta e muito mais”, conta ela. O investimento para a Série A1 deve ser uma das menores dentre todas as equipes, porém Bosetti disse que em breve o Napoli-SC deve anunciar nomes de peso para a próxima temporada 

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