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Opinião: Do céu ao inferno com as transmissões da CBF no Brasileirão Sub-18

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Qualidade da transmissão das partidas pela CBF no MyCujoo.tv diminuiu nesta segunda fase da competição que começou nesta terça, 9, em Criciúma

A CBF tem se esforçado, não há dúvidas disso. Desde a chegada de Pia Sundhage, como técnica da Seleção Principal, a entrada de Duda Luizelli, como Coordenadora das Seleções Femininas, e Aline Pellegrino, na Coordenação de Competições Femininas, quem gosta e acompanha o futebol feminino no Brasil tem ficado empolgado. Eu, por exemplo, estou encantada. O ano de 2020, apesar da pandemia, foi de conquistas para a categoria.

No quesito qualidade e quantidade, não dá para reclamar. A Seleção vem bem, tem treinado, inclusive já treinou este ano (e ainda estamos em fevereiro), e as competições nacionais não deixam mais a desejar. Aline Pellegrino tem feito um trabalho incrível. Tem Brasileirão Série A1, Brasileirão Série A2, Brasileirão Sub 16, Sub 18 e mais recentemente foi anunciada a criação da Supercopa do Brasil. Tudo para as mulheres atletas e profissionais do futebol tenham mais partidas e calendário completo durante o ano.

Nas últimas semanas tenho acompanhado o Brasileirão Sub 18. Foram dias incríveis, com narradoras e comentaristas mulheres. Muita informação, entrevistas com as jogadoras e histórias… muitas histórias emocionantes de superação e do futebol feminino. Que era o que quem estava ali assistindo queria ouvir, não é mesmo? 

As narradoras Milla Garcia e Elaine Trevisan mostraram que o lugar das mulheres é onde elas quiserem. E, convenhamos, o sucesso dos comentários da Natália Santana e Bianca Penha foi inspirador. Todas elas deram 100% de si e conseguiram fazer a distância entre a torcida e Sorocaba, onde as partidas vinham acontecendo, ficasse pequenininha. Na primeira fase foram 72 jogos com esse quarteto. Elas liam os comentários, interagiam com os espectadores e sempre tinham muita informação quentinha para compartilhar com quem estava ali curtindo a transmissão. 

No entanto, nem tudo é um mar de flores, as coisas mudaram um pouquinho nesta terça-feira, quando começou a segunda fase da competição em Criciúma. Acordei animada, entrei no MyCujoo.tv e…. BUM! 

Foi como sair correndo e, do nada, dar de cara em uma parede. Nada de Milla Garcia e Elaine Trevisan ou Natália Santana e Bianca Penha. Foram selecionados narradores e comentaristas homens e que, claramente, tinham pouquíssima intimidade com o futebol feminino. Eu assisti a partida entre Internacional e Palmeiras e tive que ouvir sobre a surpresa dos senhores em serviço em relação a qualidade dos passes certo e inúmeras vezes foi repetido que o pai da Maranhão é o Alex Maranhão. 

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Time de narradoras do Brasileirão Sub-18 | Foto: Adriano Fontes / CBF

Não que estas informações não sejam interessantes, mas para mim não é surpresa a qualidade do futebol destas atletas. Também não me surpreende que a filha do Alex Maranhão jogue infinitamente melhor do que o pai, já que eu assisti as 6 partidas do Internacional na primeira fase da competição. 

Profissionais que, com certeza, foram escolhidos pelos históricos de transmissões e que têm qualidade na informação quando pesquisam e conhecem o meio onde trabalham, mas que para o Futebol Feminino estavam totalmente despreparados e, claramente, não faziam questão de aprender sobre a categoria, nem mesmo durante a transmissão. 

Os comentários da torcida no MyCujoo foram ignorados e muitas jogadoras eram chamadas pelos nomes de tabela e não pelo apelido que gostam de ser chamadas. Com o tempo o pessoal perdeu a paciência e, enfim, uma chuva de críticas e pedidos de retorno das narradoras e comentaristas da primeira fase vieram à tona. Quem estava no chat também tinha acompanhado a primeira fase e eu senti que a frustração não era só minha.

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Time de narradoras do Brasileirão Sub-18 | Foto: Adriano Fontes / CBF

Eu estava conversando com uma das minhas fontes durante a tarde, quando recebo a informação de que o time feminino de narradoras e comentaristas estava sendo chamado de última hora para narrar e comentar as partidas da tarde. Fiquei na expectativa, claro, queria saber se se confirmaria a informação e outra vez… BUM!

Mas desta vez de ALEGRIA!

Estava de volta o time feminino de narradoras e comentaristas! O clima nos comentários melhorou de cara, a narração ficou mais informativa e com mais históricos e, acredito eu, a CBF conseguiu se redimir rapidamente com todos que admiram o trabalho destas mulheres dentro e fora dos gramados.

Estas profissionais são importantes para a visibilidade do futebol feminino e mostram fora dos gramados que as mulheres precisam de mais espaço quando se fala das categorias femininas, já que nas masculinos demoramos uma centena de anos para consegui espaço.

As fãs e os fãs de futebol que acompanham o futebol feminino, as atletas, a comissão técnica, assim como os clubes, merecem mais respeito. E foi o que aconteceu. Uma resposta imediata as reclamações. Esperamos que tudo siga assim! Com qualidade e respeito.

Aos poucos vemos que tudo está progredindo, mas ainda há muito caminho pela frente. A bola segue rolando no Brasileirão Sub 18, hoje foi recém o primeiro dia da segunda fase. Tomara que as transmissões continuem sempre melhorando, estamos todas torcendo para que isso aconteça.

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