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A dura escolha de mulheres entre a carreira de atleta e a maternidade

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Há alguns dias, me deparei com uma manchete no portal de notícias El País em que dizia: Jaqueline Lima, a atleta de badminton barrada das Olimpíadas por ser mãe. A reportagem, assinada pelo jornalista Diogo Magri, descrevia a situação da Jacqueline impedida pela Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) de participar do Campeonato Pan-Americano na Guatemala. A brasileira foi penalizada pela entidade “por ter permanecido em inatividade por um longo período” durante a gestação e o pós-parto. 

A notícia narra uma situação que ainda é cara entre as atletas de alto rendimento: a maternidade. Em muitos casos, ter um filho pode ser encarado como uma aposentadoria no universo esportivo. Um período sabático, se a mulher engravida durante a vida profissional. No entanto, esse “intervalo nas atividades” não parece ser compreendido como um direito trabalhista por clubes e patrocinadores – nem mesmo pelas entidades que regem o esporte.

Exemplos como esse, que punem quando as atletas se tornam mães, são comuns e acontecem em diversos países. Na Espanha, jogadoras de diferentes modalidades há algum tempo têm denunciado a existência de cláusulas antigravidez nos contratos com os clubes. Na Itália, o Volley Pordenone está processando a jogadora de voleibol Lara Lugli por descumprimento de contrato. O clube alega que Lara omitiu a intenção de engravidar. Além disso, a rescisão automática por violação da “boa-fé contratual” teria prejudicado a equipe na temporada de 2018/2019. O caso aconteceu em março de 2019, mas a disputa judicial só teve início depois que a italiana se pronunciou nas redes sociais sobre o ocorrido. Infelizmente, Lara perdeu o filho um mês após ser demitida. 

Nos Estados Unidos, Allyson Felix acusou a Nike, patrocinadora da equipe olímpica estadunidense, por discriminação. Nem suas seis medalhas somadas nos Jogos de Pequim, Londres e do Rio foram suficientes para impedir o corte de 70% do salário após ficar grávida. A corredora juntou-se a outras colegas, que também sofreram reduções pelo mesmo motivo, na denúncia feita ao New York Times, em 2019. A empresa demorou seis meses para voltar atrás na decisão e incluir em seus contratos garantias de manutenção do salário por dezoito meses, durante a gravidez e o período pós-parto.

O medo de baixar o rendimento e, consequentemente, prejudicar a carreira esportiva leva muitas mulheres a adiar a maternidade. Patrocinadores e clubes não aceitam manter os contratos enquanto suas esportistas estão afastadas dos treinos. Não são somente as atletas que perdem com esse tipo de posicionamento, mas as próprias empresas e clubes. Perdem a chance de manter uma atleta de qualidade no grupo. A própria Allyson provou que atitudes como essas são infundadas e discriminatórias ao bater o recorde mundial no revezamento 4X400, dez meses após o nascimento de sua filha. A marca anterior pertencia ao jamaicano Usain Bolt. Allyson retornou em grande forma, quebrando o recorde de um em mundiais de atletismo.

A três meses dos Jogos Olímpicos, Jacqueline Lima vê desfazer-se o sonho de conseguir uma vaga no badminton. A CBBd não inscreveu a atleta no torneio da Guatemala, competição importante para a classificação no ranking mundial da modalidade – o que define as vagas para as Olimpíadas. De acordo com a confederação, Jacqueline não teria tempo hábil para atingir o rendimento que o campeonato exige. Por esse motivo, foi excluída da convocação mesmo tendo no currículo duas medalhas de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019. Ao mesmo tempo, nenhuma avaliação física foi realizada. Diante disso, a brasileira perdeu a chance de ir a Tóquio e o Brasil, a de concorrer a mais um pódio.

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