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Opinião: Jogos Olímpicos na distopia

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A pouco menos de dois meses da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, nos deparamos com um cenário bastante absurdo. A pandemia por COVID-19 foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11/03/2020, o que levou o Comitê Olímpico Internacional (COI) a decidir pelo adiamento do evento – previsto para acontecer em julho desse ano. Desde então, estima-se que a doença tenha matado 3,55 milhões de pessoas em todo mundo. Em muitos países, a vacinação está acontecendo de forma lenta, o que tem contribuído para o aumento de casos e para a lotação de hospitais. O Japão é um desses casos.

Os Jogos Olímpicos recebem em torno de 11 mil atletas de 205 países. Isso sem contar jornalistas, comissões técnicas, autoridades convidadas, público e staff. Todos circulando em um mesmo espaço, dividindo alojamento, refeitórios, conduções, vestiários, arquibancadas, etc. Para esta edição, o COI pretende criar uma grande bolha. As fronteiras do Japão estão fechadas para turistas e será obrigatória a quarentena de 14 dias para os participantes, além de exames periódicos para detectar o vírus. Membros das delegações estarão proibidos de usar o transporte coletivo nas cidades envolvidas. No entanto, essas medidas não convenceram os japoneses. Em pesquisa recente, 70% da população declarou ser contrária a realização do evento.

Supomos que os jogos comecem conforme o previsto e que todas as medidas de segurança sejam seguidas com precisão. Teremos competições com plateia proibida de gritar. Cada gol, ponto, salto, recorde batido será comemorado em monótonas palmas. As entradas e saídas serão supervisionadas minuciosamente a fim de evitar aglomerações. Além disso, todos serão obrigados a baixar um aplicativo de controle de localização.

Comemorações em bares serão permitidas se for obedecido o limite estabelecido pelas autoridades e as mesas não poderão interagir fisicamente. Brindes? Danças? Trocas de contato? Apenas se manterem as máscaras e o distanciamento social. Abraços? Nem pensar. Atletas terão que ser comedidos e se contentar com a sociabilidade virtual, possivelmente, via aplicativos de relacionamento.

Tudo muito diferente do que imaginava o idealizador dos jogos na modernidade, o Barão de Coubertin. Uma confraternização entre diferentes culturas – e que, por razões óbvias, foi impossibilitada de ocorrer durante as guerras mundiais. Em 2021, porém, a grande celebração olímpica terá como pano de fundo os milhões de mortos, a desigualdade na aquisição de vacinas entre os países, além da crise econômica que tem deixado boa parte do mundo em situação de extrema pobreza.

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