Home Taekwondo Milena Titoneli perde o bronze, mas promete "renascer como fênix" em Paris

Milena Titoneli perde o bronze, mas promete “renascer como fênix” em Paris

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Campeã dos Jogos Pan-Americanos na categoria -67kg do taekwondo, atleta paulista teve a melhor campanha entre os três brasileiros da modalidade

Milena Titoneli chegou muito próximo de conquistar a terceira medalha brasileira na história do taekwondo olímpico e a quarta do Time Brasil nos Jogos de Tóquio. A paulista de 22 anos avançou na chave da categoria -67kg até a disputa do bronze. Depois de estrear com vitória sobre a campeã asiática Julyana Al-Sadeq, da Jordânia, nas oitavas, e de ser superada pela croata Matea Jelic, campeã europeia, nas quartas, a brasileira viu as esperanças de pódio se renovarem quando Jelic avançou para a decisão.

“Saio com um gostinho de quero mais. Minha mãe sempre me diz que sou como fênix, que renasço das cinzas. Pode ter certeza de que em 2024 voltarei mais forte”

Milena Titoneli

Com direito a disputar a repescagem, a atual campeã dos Jogos Pan-Americanos atropelou a jovem haitiana Lauren Lee, de 17 anos, por 26 x 5, e se qualificou para brigar pelo bronze.  Pela frente, a brasileira encontrou Ruth Gbagbi, da Costa do Marfim, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e campeã mundial em 2017. Num combate estudado no primeiro dos três rounds de dois minutos, o placar apontava 1 x 1. Nas duas parciais seguintes, contudo, Ruth foi mais eficiente e fechou em 12 x 8. 

“Eu queria muito essa medalha, mas na minha opinião tive uma evolução muito grande. Eu já tinha perdido para ela duas vezes. Dessa vez, tentei eliminar as melhores armas dela. E vinha assim, controlando, mas ela conseguiu um golpe que abriu vantagem. Um erro meu que resultou nessa derrota”, lamentou Milena.

“Foi um ciclo de superação. Abri mão de muita coisa. Chegar aqui é uma grande vitória. E não perdi porque as adversárias eram muito melhores. Elas tiveram mérito delas, foram superiores hoje”, completou a atleta. “Saio com um gostinho de quero mais. Minha mãe sempre me diz que sou como fênix, que renasço das cinzas. Pode ter certeza de que em 2024 voltarei mais forte”, completou.

Milena Titoneli é um dos grandes nomes da nova geração da modalidade no país. Embora tenha começado no taekwondo um pouco tarde para os padrões do alto rendimento, aos 13 anos, já era faixa preta aos 16, entrou para a seleção juvenil e fez história ao se tornar a primeira brasileira a competir nos Jogos Olímpicos da Juventude. Em 2019, conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru.

Duplo bronze

A modalidade já rendeu dois bronzes olímpicos ao Brasil. Um com Maicon Siqueira, na categoria +80kg, nos Jogos Rio 2016, e outro com Natália Falavigna, na categoria +67kg nos Jogos de Pequim, na China, em 2008. Falavigna, aliás, hoje atua como chefe de equipe do taekwondo em Tóquio e ocupa um cargo de gestão na confederação da modalidade.

Para Milena, Natália foi uma referência, um ícone que fez com que ela quisesse seguir no taekwondo, e atualmente é uma parceira de conselhos técnicos. “A Natália é uma pessoa incrível. Ela mudou o taekwondo. Sempre me motivou muito. Agora, então, ficou  mais próxima do que nunca. Ela me dá muitos conselhos na luta e em todo o ciclo olímpico. Isso me fortaleceu bastante”, comentou Milena.

“Em 2012, quando ela foi para Londres, ela treinava lá em São Caetano e eu estava começando. Hoje, inclusive, no ônibus, mostrei para ela uma foto daquela época. Eu me lembro de que eu ficava de madrugada acordando com o despertador para ver ela lutar”, comentou.

Natália, por sua vez, entende que ter servido de espelho para a nova geração de atletas é um sinal de que o trabalho feito por ela rendeu os resultados necessários. “Fico muito feliz porque na minha carreira como atleta eu pude conquistar objetivos e, vendo a Milena, tenho um sinal de que esses objetivos não ficaram só comigo. É importante fazer com que seu sonho cresça nos outros”, comentou, antes de elogiar o desempenho da pupila.

“A Milena teve um desempenho muito bom. Pegou lutas difíceis, decididas em detalhes. Essa luta final pelo bronze, mesmo, a gente sabia que seria muito difícil. A Ruth vem ganhando tudo, mas a Milena se comportou super bem, dentro do estilo dela. Nesse nível são os detalhes. Um chute no rosto que a Ruth acertou fez a diferença”, comentou Falavigna.

O CAMINHO DE MILENA

Julyana Al-Sadeq (Jordânia)

Na estreia, Milena enfrentou a jordaniana Julyana Al-Sadeq, campeã asiática em 2021 e vencedora dos Jogos da Ásia de 2018. O combate foi parelho. Ao fim dos três rounds de dois minutos, as atletas empataram em 8 x 8. No tempo extra, cada uma fez um ponto e a decisão acabou pelo critério de número de punições durante o combate. A jordaniana teve três e Milena, nenhuma.

Matea Jelic (Croácia)

Nas quartas de final, a brasileira teve pela frente a croata Matea Jelic, atual campeã europeia. Milena até tomou a iniciativa, mas a adversária foi mais consistente ao longo dos três rounds do combate e venceu por 30 x 9.  Como a croata se qualificou para a final, Milena teve direito a disputar a repescagem.

Lauren Lee (Haiti)

Diante de uma adversária muito jovem, de 17 anos, e sem resultados expressivos no circuito internacional, Milena foi extremamente dominante. Distribuindo os socos e chutes com precisão, teve muita tranquilidade para vencer por 26 x 5.

Ruth Gbagbi (Costa do Marfim)

Na disputa do bronze, Milena encarou a experiente atleta de 27 anos, que tinha no currículo o bronze conquistado nos Jogos Rio 2016 e o título mundial de 2017, além de pódios em etapas do circuito internacional. Milena adotou uma postura mais conservadora, sem se expor muito no início, mas a adversária achou brechas na guarda de Milena e obteve uma vantagem suficiente para controlar a luta e conquistar o bronze. 

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