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Judô brasileiro perde nas equipes mistas. Campanha termina com dois bronzes

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Mayra Aguiar, com vitórias nos dois confrontos, foi o destaque. Segundo o gestor de alto rendimento da confederação da modalidade, resultado espelha momento de renovação

Medalhista de bronze em dois dos três últimos Campeonatos Mundiais, a equipe mista brasileira de judô não conseguiu repetir a performance nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Ainda que tenha iniciado o confronto como cabeça de chave, nas quartas de final, o time brasileiro foi superado duas vezes e ficou fora do pódio. Primeiro pela Holanda, por 4 x 2. Depois, pela equipe de Israel, pelo mesmo placar.

Com o resultado, o Brasil fecha a participação em Tóquio com duas medalhas de bronze, conquistados por Daniel Cargnin (-66kg) e por Mayra Aguiar (-78kg). A campanha é inferior à demonstrada nas três últimas edições de Jogos Olímpicos. Em Pequim (2008), o Brasil teve três bronzes. Em Londres (2012), um ouro e três bronzes. No Rio de Janeiro (2016), um ouro e dois bronzes. Suspensa por testar positivo para o uso de substância proibida, a campeã olímpica e mundial Rafaela Silva não disputou os Jogos de Tóquio.  

Segundo o gestor de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô, o resultado espelha o momento da equipe, embora ele esperasse mais da equipe pelo potencial que tem. “Acho que os dois bronzes retratam, sim, o nosso momento de processo de renovação, em especial no time masculino. Talvez a equipe poderia chegar um pouco melhor. Tivemos quatro mundiais com essa composição de equipe mista e em três chegamos ao pódio. Aqui não deu”, comentou o dirigente.

“A competição por equipe tem muitas diferenças em relação ao individual. O emocional contribui. Um bom resultado, inesperado, faz a equipe crescer, mas um resultado esperado e que não acontece, faz a equipe cair. Tudo isso complicou um pouquinho”, completou Ney Wilson, que ressaltou o fato de o judô ter mantido a tradição de subir ao pódio de forma ininterrupta em todas as edições dos Jogos desde 1984, em Los Angeles.

Tropeços

Na primeira luta, contra a Holanda, as vitórias brasileiras vieram exatamente com os dois medalhistas olímpicos em 2021: Daniel Cargnin (-73kg) e Mayra Aguiar (+78kg), ambos lutando uma categoria acima de seus pesos. As derrotas foram de Larissa Pimenta (-52k), que também lutou numa categoria acima porque o Brasil não classificou atleta feminina na categoria -57kg, além de Maria Portela (-70kg), Rafael Macedo (-90kg) e Rafael Silva (+90kg).  

Contra Israel, as vitórias foram de Maria Portela e, mais uma vez, de Mayra Aguiar, que substituía Maria Suelen Altheman, lesionada na disputa das quartas de final do torneio individual da categoria + 78kg. O Brasil saiu derrotado nos confrontos disputados por Eduardo Yudy (-90kg), Eduardo Barbosa (-73kg), Rafael Buzacarini (+90kg) e Larissa Pimenta (-57kg).  Ao fim do confronto, Mayra não escondeu a decepção por ver a medalha escapar e a tensão que ela e a família ficaram com o fato de que ela lutaria numa categoria acima, principalmente num processo final de recuperação de cirurgia no joelho esquerdo.

“Ainda estou com o gosto bem amargo da derrota. Eu odeio perder, estou me corroendo por dentro. Uma competição por equipe é diferente. Vejo como um todo. Todos se doaram muito ali dentro. Temos um time forte. Seria um feito histórico para mim sair daqui com duas medalhas na primeira vez da competição por equipes em Jogos Olímpicos. Estávamos com muita vontade, mas sei que cada um deu tudo de si”, comentou a bicampeã mundial.

“Eu estava com receio de lutar na categoria de cima porque estou voltando de cirurgia, mas quando boto o quimono, o espírito competitivo fala mais alto. Ia deixar o que fosse ali dentro para conseguir a vitória. Acho que na primeira luta consegui ir bem, resistir até o final. Mesmo dois shidôs atrás, fui para cima, mantive a firmeza e consegui o ippon. Na segunda, a atleta era bem mais pesada. O objetivo era ganhar forçando as punições, mas vi que estava boa a pegada, senti que dava para jogar. Acreditei e consegui jogar de ippon também”.

Mayra chegou a ouvir da família, que a acompanhou na recuperação da cirurgia mais recente, recomendações e até repreensões por se expor. “Minha mãe ficou doida, não queria que eu lutasse. Já tive duas lesões por causa disso. Minha irmã quase me xingava, porque me ajudou na recuperação o tempo inteiro. Ao mesmo tempo, é minha alma, minha carreira, minha paixão. A gente arrisca tudo ali mesmo”.

A dupla vitória de Mayra, contudo, esbarrou nas performances pouco inspiradas da equipe masculina brasileira, que só ganhou um combate, com Daniel Cargnin.  “A gente tem a equipe masculina num processo de renovação. É diferente da feminina, que reúne atletas muito experientes, como Mayra, Portela e Suelen, e algumas mais novas. A masculina só tem o Baby como referência de bagagem”, comentou Ney Wilson.

Impacto dobrado

Segundo o Ney Wilson, as restrições causadas pela pandemia tiveram duplo impacto na preparação do judô brasileiro para Tóquio. Primeiro, numa perspectiva semelhante à que todos os países passaram, com a impossibilidade por um tempo de treinar e disputar competições. Mas, na sequência, com grandes dificuldades logísticas para levar o time para períodos de treinamentos no exterior em função de fechamento de fronteiras.  

“Esses Jogos são diferentes porque tivemos muita dificuldade na preparação. Um atleta jovem precisa de mais rodagem, de treinamentos, de vivências, coisa que a pandemia nos dificultou. Temos a certeza de que cada um deles, dentro das possibilidades, teve a melhor preparação e entregou o melhor que podia. Conquistamos todas as vagas, mas faltou um intercâmbio melhor, que é nossa linha de trabalho”, ponderou Ney Wilson. “Alguns deslocamentos para competições e treinamentos que em tempos normais levariam 11 horas, fizemos às vezes em 35 horas, para desviar o voo para países que pudessem nos receber. São ingredientes que precisam ser levados em consideração”, comentou o dirigente.

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