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Opinião: ¡Te felicito, Felicitas!

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Há algumas semanas, uma notícia chamou a atenção da imprensa esportiva internacional. Tratou-se do contrato da gigante Nike com a argentina Felicitas Flores Mussi, de apenas oito anos. Além de atentarem para o fato de Felicitas assinar com a empresa em idade inferior a de Messi (13 anos) e de Neymar (14 anos), as reportagens destacaram o entusiasmo da jovem atleta ao ler no documento o termo “jogadora de futebol”.

“O mais bonito é que está escrito ‘jogadora de futebol’. Obrigada a todos que apoiam meu sonho”.

Questões relacionadas à profissionalização de futebolistas mulheres na América do Sul são bastante complexas. Em 2016, ano em que realizei minha pesquisa de doutorado sobre carreira de jogadoras de futebol na Ferroviária, em Araraquara (SP), apenas as atletas do Santos estavam registradas como profissionais na Federação Paulista de Futebol. Cabe salientar que o estado de São Paulo possuía – e ainda possui – a melhor organização e incentivo a essa modalidade no país. Nesse mesmo ano, o clube do interior paulista havia contratado três futebolistas argentinas para reforçar a temporada. 

Durante esse trabalho de campo, ao perguntar sobre as motivações que as levaram a atuar em um clube brasileiro, obtive respostas como: “no Brasil o Futebol Feminino é mais profissional”; “o Campeonato Brasileiro é mais equilibrado, com mais equipes em disputa”; “jogando no Brasil, temos mais chances de conseguir contrato com equipes da Europa ou Estados Unidos”. 

As mudanças dos últimos anos no futebol praticado por mulheres – impulsionadas por campanhas feministas de equidade de gênero e de combate ao machismo que mobilizaram futebolistas e, ainda que de modo avesso, confederações, federações nacionais e clubes – fortaleceram não apenas os campeonatos internacionais e nacionais, mas o incentivo da sociedade em torno dessa modalidade. O movimento chamou a atenção de grandes empresas já bastante atuantes no Futebol Masculino, que identificaram novas possibilidades de ganhos no Futebol Feminino. A alegria de Felicitas ao assinar um contrato onde se lê “jogadora de futebol” reflete um pouco dessa situação ambivalente. É indicativo de mudança, de maior visibilidade ao Futebol Feminino, ao mesmo tempo em que escancara a lógica mercadológica por traz da ação.

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