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Pia Sundhage avalia desempenho da Seleção em Manaus: ‘Demos um passo à frente’

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Treinadora apontou mudanças bem sucedidas no ataque e projetou ajustes pendentes: ‘É um processo, leva tempo, mas chegaremos lá’

O desempenho da Seleção Brasileira no Torneio Internacional de Manaus, fechado com chave e medalha de ouro nesta quarta-feira, 1, agradou a técnica Pia Sundhage. Em entrevista coletiva após a decisão contra o Chile, a comandante analisou o desenvolvimento da equipe neste processo de renovação.

“Acho que nossa jornada até aqui, com novas jogadoras no campo e com a Marta, é muito interessante porque mudamos bastante o ataque. O Chile é um bom time e criou dificuldades para nós, trabalhando nos contra-ataques, por exemplo, quando perdíamos a posse no meio. Mas, no fim das contas, nós realmente nos esforçamos para atacar pelo meio, para tentar isso com mais frequência, e acho que há margem para melhora nas nossas tentativas pelas pontas. Em relação a esses dois aspectos, leva tempo para que estejamos na mesma página. As meias e as atacantes trabalharam muito bem juntas em alguns momentos e, em outros, estavam um pouco desconectadas. Mas gosto muito do que vi porque demos um passo à frente, e daremos outros no futuro”, garantiu.

Seleção Feminina Principal disputa a final do Torneio Internacional de Futebol Feminino: Brasil x Chile Créditos: Thais Magalhães/CBF
Seleção é campeão do Torneio Internacional de Futebol Feminino: Brasil x Chile | Foto: Thais Magalhães/CBF

No primeiro tempo, a Seleção encontrou uma defesa muito fechada e criou boas chances, mas não conseguiu marcar. A marcação forte das chilenas dificultou a vida do ataque, que conseguiu achar os espaços na segunda etapa da partida. Pia destacou que a Canarinho está mais criativa do que antes no setor ofensivo, com repertório tático mais diversificado.

“Nós nos tornamos mais imprevisíveis, construímos mais tabelas e ainda falamos em desafiar as linhas, mas fazemos isso de um jeito diferente, com jogadoras diferentes e jogadas diferentes. Isso é difícil, porque o ataque é muito rápido. Você tem atletas velozes, mas também precisa tomar as decisões mais rápido, e há muitas tabelas. Claro que isso é mais difícil se comparado a simplesmente jogar pelas pontas e tentar um cruzamento. Precisamos fazer as duas coisas e ser pacientes, porque eu realmente acredito nas habilidades técnicas das jogadoras brasileiras. Agora, pouco a pouco, acho que nos tornaremos mais coesas. Outro aspecto é quando perdemos a posse, para mencionar uma situação defensiva também. Esses três jogos foram muito bons para nós, passamos por diferentes fases de ataque e defesa. É só assistir alguns minutos de cada uma das partidas para perceber que é um processo de aprendizagem. Toda partida nos ensina”, avaliou.

A treinadora também comentou o equilíbrio no início da partida, com o Chile retomando a posse e tentando aproveitar a velocidade para furar a defesa brasileira. Para ela, a perda de posse no meio de campo resulta de um ataque mais agressivo que ainda não estabeleceu o ritmo ideal, mas que está no caminho certo para isso.

“Fizemos um bom jogo. Parte de nosso desempenho defensivo, nos minutos iniciais, precisa melhorar, especialmente em relação aos contra-ataques. Mas, no geral, acho isso se deve ao fato de que atacamos muito e, ao perder a bola, tínhamos que defender muito também. A parte interessante, para mim, é como vamos conseguir juntar as duas coisas: esta maneira mais veloz de atacar, com passes curtos e tentando desafiar as linhas, e, em outros momentos, relaxar um pouco mais com a bola e se estabelecer no ataque. É uma questão de equilíbrio. Agora, quero ver a gente indo para o ataque o máximo possível e, no futuro, nesta jornada que começamos, veremos um pouco mais de ritmo, de forma que a gente dite o tempo de jogo. Essa é provavelmente a parte mais difícil de nosso ataque, mas chegaremos lá, e gosto do que vejo até aqui”, elogiou.

Pia também valorizou a oportunidade de dar minutos em campo às jogadoras mais jovens, especialmente neste momento de renovação da equipe. Para ela, quanto mais diversos forem os estilos de jogo das adversárias, mais preparada a Seleção estará para lidar com as situações que o jogo apresenta.

“Primeiramente, precisamos jogar e lidar com situações de jogo distintas, independentemente se as equipes vêm da América do Sul, da Europa ou da Ásia. O Chile, por exemplo, recebe a bola nas pontas, corta de volta e tenta uma tabela para quebrar a marcação. Isso é muito diferente do que faz a França ou os Estados Unidos, por exemplo. São esses pequenos detalhes, e eu gosto muito de estar na América do Sul porque tudo é muito diferente de qualquer coisa que eu já tenha feito, e eu gosto das situações imprevisíveis”, disse.

O título em Manaus marca o encerramento dos compromissos da Seleção nesta temporada. A próxima Data FIFA é em fevereiro, quando as Guerreiras do Brasil disputarão o Torneio Internacional da França, enfrentando, além da anfitriã, Holanda Finlândia. Em julho, começa a Copa América, que garante às campeãs uma vaga na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Para que a Seleção esteja preparada até lá, a treinadora destaca que é preciso avançar um degrau de cada vez.

“É impossível acelerar o processo. Precisamos estabelecer prioridades, trabalhar certos aspectos, enfatizá-los para, antes da Copa América, ter uma ideia de como vamos jogar. Mas para ter sucesso, você precisa cometer erros. Estou preparada para algumas jogadoras perdendo a bola ao ir para o 1×1, por exemplo. Mas, por outro lado, temos uma boa defesa. Agora, a chave é descobrir quando ir para o 1×1, que cria uma chance de superar a marcadora. É achar o equilíbrio, e é muito importante fazer isso não só nos treinos, mas em jogos. O Torneio na França em fevereiro é muito importante, porque precisamos de adversários diferentes e elas são muito qualificadas. Se você cometer muitos erros, por exemplo, no meio de campo, exigiremos mais da defesa. Mas se superarmos uma marcadora no meio, teremos uma grande oportunidade de criar chances de gol. Cada jogo é um momento de aprendizado. É melhor se enfrentarmos uma das seleções no top 10 do ranking, porque isso nos ensina ataque e defesa ao mesmo tempo”, concluiu.

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