HomeSeleção BrasileiraOpinião: O ano do Futebol Feminino brasileiro em 2021

Opinião: O ano do Futebol Feminino brasileiro em 2021

-

Quase como um ritual de passagem de ano, aproveitei os primeiros dias de janeiro para fazer uma triagem dos arquivos salvos durante os últimos doze meses em meu computador. Entre textos publicados e os que não tiveram continuidade, encontrei uma pasta com downloads de reportagens sobre Futebol Feminino extraídas de portais de notícias durante 2021. 

Ao reler parte desse material, pude revisitar um pouco do que aconteceu no universo do futebol praticado por mulheres nesse período. Sem dúvida, foi um ano bastante movimentado. Além dos Jogos Olímpicos de Tóquio, também tivemos a despedida de Formiga e o reconhecimento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) às pioneiras da Seleção Brasileira. 

Nos Jogos de Tóquio, embora o Brasil não estivesse entre os favoritos à medalha de ouro, a cobertura das partidas da seleção alcançou números inéditos. O embate contra a Holanda, por exemplo, fez com que a Rede Globo dobrasse os pontos de audiência para o horário. Na semana seguinte, metade dos televisores do país estava sintonizada no jogo entre Brasil e Canadá, cujo resultado desclassificou as brasileiras.  

Poucos meses depois, em novembro, Miraildes Maciel Mota, a grande estrela da seleção, se despediu dos gramados após 26 anos vestindo a camisa canarinho.  A partida contra a Índia, pelo Torneio Internacional de Manaus, serviu de palco para esse grande momento do Futebol Feminino. Para além da goleada contra a seleção do sul da Ásia, o mais importante para Formiga foi sua mãe assistir o reconhecimento e o carinho da torcida por seu trabalho no futebol. Foi a primeira vez que Dona Celeste Maciel Mota esteve em um estádio. “Ela não pegou meu início na seleção, no estádio, nem o meio. Mas, graças a Deus, ele deu saúde e coragem para que ela pudesse vir aqui agora, no fim, e ter presenciado esse carinho da torcida pela filha dela”, ressaltou a craque às jornalistas no final da partida.

E foi por pouco que a futebolista não fez parte da Seleção Brasileira de Futebol Feminino que atuou na primeira Copa do Mundo, em 1991, na China. Para fechar o ano, as pioneiras da seleção foram homenageadas pela Confederação Brasileira de Futebol. Reconhecimento lembrado com trinta anos de atraso, claro. Aliás, resultado do ótimo trabalho de Duda Luizelli e de Aline Pellegrino na instituição – o que mostra a diferença que fez a contratação de mulheres do meio futebolístico. Para comemorar a data, foi organizado um final de semana de eventos que reuniu essas ex-jogadoras na Granja Comary, além da e comissão técnica da seleção, jornalistas e acadêmicas pesquisadoras do Futebol Feminino. 

Mas a temporada de 2022 começa com incertezas. Afinal, apesar do drástico aumento de casos de pessoas contaminadas pela variante SARS-COV-2 Ômicron, não houve anúncios sobre regulamentos mais rígidos, que diminuíssem as possibilidades de contágios e mantivessem a segurança de nossas atletas. Assim como em boa parte das modalidades esportivas do país, diga-se de passagem.

Comentários

- Advertisment -spot_img

Últimas Notícias