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O que faz um argentino e um português na delegação brasileira dos Jogos de Inverno?

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A missão brasileira que participará dos Jogos Paralímpicos de Inverno, em Pequim, a partir desta sexta-feira, 4, conta com a presença de dois estrangeiros habituados a conviver com o frio e com a neve em boa parte do ano.

A competição será aberta oficialmente nesta sexta-feira, 4, a partir das 9h da manhã (horário de Brasília), e o Brasil será representado na cerimônia pelos porta-bandeiras Cristian Ribera e Aline Rocha. O país se fará presente com sua maior delegação, com seis competidores. Além de Cristian e Aline, outros três são do cross-country e um do snowboard.

Cada uma dessas modalidades conta com a contribuição direta de um argentino e de um português. O “hermano” é Federico Cichero, que trabalha numa função chamada de wax-tech, fundamental na preparação dos esquis nas provas de cross-country tanto olímpico como paralímpico. 

O europeu é Nuno Marques, o Mancha, que lida com esportes na neve há mais de 20 anos na Serra da Estrela, famosa cordilheira nevada portuguesa, com quase dois mil metros de altitude. Ele é treinador do snowboarder gaúcho André Barbieri, desde 2021.

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Nuno Marques e Federico Cichero | Foto: Ale Cabral/CPB

Federico, 38, é de Ushuaia, no extremo sul do continente, e foi atleta olímpico. Representou a Argentina no esqui cross-country nos Jogos Olímpicos de Sochi 2014. Ao longo da carreira, competiu diversas vezes com Leandro Ribela, que compôs o Time Brasil olímpico nos Jogos de Vancouver 2010 e Sochi 2014.

O contato entre treinos e competições persistiu. Atualmente na condição de treinador e coordenador de esqui cross-country do Brasil, Ribela convidou Cichero para se juntar à missão brasileira que viria a Pequim. 

“Aceitei sem pestanejar. Sabia que era um desafio imenso, mas estava seguro de que poderia cumprir com as expectativas”, contou o argentino.

Já Mancha foi convidado por André em 2021 para ser seu treinador. Os dois seguiram um circuito de competições na Europa ao lado de outro snowboarder brasileiro, José Lima, e do português Pedro Herdeiro. 

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Cichero (à direita, em pé, próximo ao mascote) é o wax-tech da delegação brasileira | Foto: Ale Cabral/CPB

“Fui muito bem recebido pelos brasileiros. Como dizemos em Portugal: estão a me estragar com mimos. Mas fiquei muito orgulhoso com o convite do André, amo o Brasil, estou casado há 13 anos com uma carioca, minha outra família é brasileira”, contou Mancha, que era contabilista em Lisboa e há 13 anos largou a vida de escritório para se dedicar aos desportos na neve na Estrela.

Em Pequim, tanto o argentino quanto o português acalentam boas apresentações dos atletas brasileiros. “Normalmente, os sul-americanos vinham para os Jogos de Inverno só para completar, agora estamos sentindo esta sensação maravilhosa de vir para competir entre os melhores, e acreditamos nos melhores resultados”, comentou Cichero.

“Não estamos à espera de medalhas, pode acontecer, sempre, mas não estamos a pensar muito nisso, até porque os que estão aqui são os melhores do mundo, pois, como sabes, são de países que têm neve e podem conviver 200 dias de neve por ano. Não é o caso do André. Mas ficar entre os oito primeiros seria quase como uma medalha de ouro”, explicou Mancha. 

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