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Internacional comemora “o nascimento de uma ídola”: Fabi Simões completa três anos no clube

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Contratada pelo time gaúcho como craque, Fabi Simões precisou de poucos meses para virar ídola do clube

O dia 10 de abril marca a estreia de Fabiana pelo Internacional. “Ela pode se gabar de ocupar degrau dos mais altos no panteão colorado”, disse o clube em conteúdo comemorativo aos 3 anos da atacante no clube. Fabiana, então com 29 anos, deu o pontapé inicial na história do Internacional ao vestir pela primeira vez o manto do Clube do Povo. Desde aquela partida contra o São José, encerrada com vitória de 2 a 1 das Gurias, outros 63 capítulos foram escritos na biografia compartilhada entre instituição e jogadora, cada um desses, fundamental na construção da figura divina que a atual camisa 7 representa para a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande.

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A “Rainha dos Grenais” empatou para o Inter no Grenal que decidiu o Campeonato Gaúcho de 2021 | Fotos: João Callegari

A fama que acompanhava Fabiana, também conhecida como Baiana, à época de sua chegada ao Inter, era impactante. Em 2019, o currículo da craque, já consagrada como a melhor lateral-direita da Seleção Feminina de todos os tempos, acumulava participações em três Olimpíadas, incluindo a campanha medalhista de prata de 2008, o ouro no Pan de 2015, realizado em Toronto, e a disputa de duas Copas do Mundo, a primeira na Alemanha, em 2011, e a segunda no Canadá, também em 2015.

O último clube defendido por Fabi antes do Inter foi o Wuhan, da China, equipe para a qual se transferiu após um 2017 de relevância com as cores de Corinthians e Barcelona. Sua contratação, portanto, simbolizava a ambição do Clube do Povo para a temporada de estreia das Gurias Coloradas na elite do futebol feminino brasileiro.

Em sua partida de estreia, Fabi deixou claro o acréscimo de qualidade que representava. Válido pela quarta rodada do Brasileirão A1 de 2019, o embate entre Inter e São José-SP teve seu placar inaugurado pela colorada Daiane Moretti aos 29 minutos do primeiro tempo. O gol da centroavante saiu de cobrança de falta feita por Baiana, que levantou na área a partir da intermediária direita de ataque. Na segunda trave, outra ídola, a zagueira Sorriso, teve a responsabilidade de agir como assistente da jogada.

Novamente com a camisa dois às costas, Fabi voltou a ser titular na rodada seguinte, quando as Gurias venceram o Minas-ICESP, fora de casa, por 2 a 0. Já o primeiro gol da lateral-direita como atleta colorada saiu no dia 19 de maio, data do terceiro jogo que disputou pelo Inter. No Pacaembu, a atleta, recém-convocada pelo técnico Vadão para a Copa do Mundo que em breve seria disputada na França, precisou de apenas 11 minutos para, ao perceber a goleira rival adiantada, marcar um dos gols mais bonitos do Brasileirão de 2019. De muito longe, por cobertura, a bola viajou até as redes alvinegras e abriu os caminhos para a vitória de 2 a 1 do Clube do Povo

A crescente de Fabi Simões pelo Inter fazia crer que a lateral chegaria em grande forma ao Mundial, onde teria a responsabilidade de carregar parte do protagonismo da Seleção Brasileira junto de suas outras colegas de geração. No mês de véspera da Copa, porém, uma lesão muscular na coxa direita frustrou todas as expectativas da atleta e da torcida, e culminou na colorada sendo cortada da convocação. Para muitos, um baque dessa magnitude significaria o fim da temporada. Para a nossa ídola, ele somente motivou um retorno ainda melhor – e em nova posição

De lateral para atacante, Fabi Simões deu mais um importante passo em direção à eternidade colorada no primeiro clássico que disputou. Nascida com especial predisposição para ser carrasca tricolor, a craque, que acabara de retornar de Data FIFA com a Seleção Brasileira, marcou, em confronto do Gauchão, os três primeiros gols da goleada de 4 a 0 das Gurias em cima das adversárias. De muito longe, em voleio com a perna direita, dentro da área, rasteiro e de canhota, e driblando a goleira, ela tratou de se apresentar à maior rivalidade do país já ocupando o posto de estrela. Surgia, naquele instante, a Mulher Gre-Nal.

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A maior Mulher Gre-Nal da história: Uh! Fabiana! | Foto: Mariana Capra

Ninguém atrasa quem nasceu para vencer – 2020

O ano de 2020 reservou novas pedras no caminho de Fabiana Simões. Na partida de estreia das Gurias na temporada, por exemplo, a atacante, lesionada, precisou deixar o campo logo no minuto 14. Do DM, ela acompanhou os quatro jogos disputados pelo Inter antes da paralisação do calendário brasileiro em virtude da pandemia do novo coronavírus. A volta aos gramados, assim, ocorreu apenas no final de agosto, mais de seis meses após a lesão sofrida.

Depois de tanto tempo sem jogar, é claro que Fabi voltou com fome de gols. Já na terceira partida disputada no ano, Simões foi decisiva na vitória de 2 a 1 das Gurias sobre a Ferroviária, conquistada fora de casa e de virada. Servida por Shashá, a atacante desviou bom cruzamento em direção ao poste, e contou com a sorte que acompanha as craques para ver a bola rebotear no corpo da goleira Luciana e tomar o caminho da baliza grená. Na sequência do calendário, três jogos mais tarde, foi o Iranduba-AM quem teve sua meta vazada pela 11 colorada.

À medida que o trio de ataque formado por Shashá, Byanca Brasil e Fabi Simões acumulava maior entrosamento, as Gurias passaram a somar ainda mais pontos na disputa do Brasileirão. Na 11ª rodada, diante do Cruzeiro, a camisa 11 brilhou com dois gols, o primeiro deles digno de uma extrema, lançada para fazer o facão e finalizar com o pé trocado, e o segundo característico da centroavância, que tanto cobra por oportunismo que não permita passar incólume qualquer bola viva dentro da pequena área adversária.

Mulher Gre-Nal, Fabi passou em branco na final do Gauchão de 2020 (acredite se quiser!). Mais uma vez escalada na lateral, desta feita para que Rafa Travalão e Mariana Pires pudessem atuar juntas na construção de jogadas para a dupla de avantes formada por Shashá e Byanca Brasil, a defensora não deixou de ter boa exibição no clássico, encerrado com vitória de 2 a 1 do Inter sobre o Grêmio. Passadas duas temporadas em Porto Alegre, a ídola chegava a dois títulos conquistados pelo Clube do Povo.

A 7 ficou ainda mais pesada – 2021

No masculino, a camisa 7 pertenceu a Valdomiro, Fabiano, Tinga e Taison, entre outros gigantes. Na história feminina e colorada, foi empunhada por ninguém mais, ninguém menos, do que Bel. Com o passar dos anos, a torcida colorada aprendeu que, nos momentos de dificuldade, deveria correr os olhos na direção dela. Afinal, desde criança ouvimos e aprendemos que quem veste a 7 precisa ser diferente, capaz de dançar no mesmo ritmo que as bandeiras tremulam, de partir para cima de defesas representando a ambição de milhões, e de definir, destroçando goleiras, com a qualidade de poucos. No Internacional, em resumo, a camisa 7 sempre entortou varal.

O hiato que vivemos do gol de pênalti contra o Santos até novo encontro de Fabi com as redes pode ter feito com que algumas coisas passassem desapercebidas ao grande público. Desde a estreia em 2021, por exemplo, Simões já vestia um novo número. No lugar do 11, que tantas vezes usou após suas primeiras partidas com a 2, a atacante estava com a 7. Sim, é isso mesmo. No ano em que precisaria se destacar como nunca, a craque escolheu trajar o número dos que tornam o impossível, realidade, e ainda teve a capacidade de esperar a hora certa para deixar claro que estava preparada para tamanha responsabilidade.

Precisando vencer, o Inter disputou a 10ª rodada do Brasileirão A1 de 2021 no Engenhão, contra o Botafogo. Titular junto de Mileninha, sua nova parceira de ataque, Fabi Simões armou a primeira de suas arrancadas no minuto 13 da etapa inicial, instante em que serviu a companheira, que finalizou para milagre da goleira Rubi. Espalmada, a bola tomou o caminho da marca do pênalti, onde a camisa 7 colorada, embora prensada por duas marcadoras, apareceu para concluir. Placar aberto no Rio.

Passados 10 minutos, Mileninha e Fabi voltaram a reluzir. Do campo de defesa, a cria partiu em velocidade até a intermediária ofensiva, sempre acompanhada por cinco marcadoras. Única parceira de time ao seu lado, Simões foi percebida pela atacante, que esticou jogo pela ponta-direita. Dali, a 7 cruzou, como Valdomiro, em direção à primeira trave. Dentro da área, a aprendiz consagrou a tabela da dupla. Inter dois, Botafogo 0.

Bicampeã gaúcha e artilheira consagrada em nível estadual e nacional com as cores do Inter, Fabi ainda perseguia, quando da disputa da reta final da primeira fase do Brasileirão de 2021, seu gol de desencanto no Beira-Rio – e não existia circunstância melhor para dar fim ao tabu do que no primeiro Gre-Nal feminino nacional sediado no Gigante. No último dia 20 de junho, as Gurias Coloradas receberam suas maiores rivais pela penúltima rodada do país.

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A jogada do primeiro gol de Fabi no Beira-Rio | Foto: Jota Finkler / Internacional

Eram jogados 22 minutos do primeiro tempo quando, após passe espirrado de Djeni Becker, Fabi tirou proveito do pique da bola para invadir a área gremista. Com o corpo, a craque garantiu a posse, e, diante da aproximação de uma segunda rival, transformou o gramado do Beira-Rio em pista de dança. Azarada, a vítima tricolor sequer teve tempo de piscar os olhos antes de ser fintada e se deparar com um vermelho número 7 de frente para o gol azul. Segundos depois, festa no Gigante. Pela sexta vez naquele Brasileirão, e também em clássicos, a Mulher Gre-Nal marcava.

Encerrada a primeira fase do Brasileirão, o torneio teve sua disputa interrompida por mais de 50 dias, consequência da disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Depois de dois anos seguidos de eliminação nas quartas de final, as Gurias teriam mais uma chance de chegar às semis nacionais, mas, para isso, precisariam eliminar o São Paulo, terceiro colocado no turno de pontos corridos e dono do mando de campo no jogo da volta, vantagem ainda mais celebrada pelas paulistas após conquistarem vitória na ida, no Beira-Rio, por 2 a 1.

Verdade seja dita, o jogo da volta começou ainda no Beira-Rio. Se o revés de 2 a 1 era duro para o Inter, ainda pior seria o panorama sem o gol de Djeni, marcado aos 47 da etapa final. Com ele, qualquer vitória no Morumbi levaria a disputa da vaga para os pênaltis, e as Gurias, com esperanças renovadas graças ao tento de desconto, não apenas começaram melhores a partida em São Paulo, como também não se deixaram abalar nem mesmo com o injusto gol de Gislaine, que abriu o placar para as mandantes aos 21.

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Fabi envolveu a marcação no lance do gol de empate no Morumbi | Foto: Livia Villas Boas / CBF

A altivez apresentada pelo Inter diante da desvantagem foi recompensada nos pés de Fabi. Menos de 15 minutos depois do time da casa aumentar sua vantagem agregada para dois gols, a decisiva artilheira brigou com a marcação após passe parcialmente interceptado de Djeni, levou a melhor sobre a zaga, ajeitou para a perna direita e, de dentro da área, finalizou com curva, de chapa. Golaço, que na etapa final seria acompanhado por outro de Ari, marcado aos 39, e mais um de Shashá, anotado já nos acréscimos. Estávamos entre as quatro melhores equipes do Brasil!

Agressivamente caçada pela zaga do Palmeiras no duelo de ida das semis, Fabi teve que começar a volta, no Allianz Parque, como reserva. De todo modo, a craque, que entrou durante o intervalo, ajudou o Inter a jogar em alto nível até os 17 minutos da etapa final, instante em que as Gurias ficaram com uma a menos em campo. A partir de então, as palestrinas fizeram valer a superioridade numérica para eliminar o Clube do Povo do Brasileirão.

A despedida do calendário nacional, todavia, não representou o encerramento da temporada colorada. No mesmo mês de setembro que sediou o jogo do Allianz, as Gurias iniciaram a defesa pelo título do Rio Grande do Sul. Titular em quatro das seis partidas disputadas pelo Inter na fase de grupos do Estadual, Fabi marcou gols em todas essas, e avançou para as semifinais somando incríveis três assistências e uma dúzia de tentos no Gauchão.

O sétimo gol de Fabi Simões no Gauchão saiu na partida de abertura da fase eliminatória do Estadual. Em Farroupilha, contra o Brasil, a artilheira colocou à prova, pela enésima vez com a camisa do Inter, uma de suas principais valências ofensivas ao se posicionar, durante jogada de contra-ataque, nas costas da lateral rival. No pique, ela recebeu passe de Wendy, conduziu até a grande área e, como sempre, aguardou a tomada de decisão por parte da goleira. Quando viu que esta escolhera a saída por baixo, finalizou de bico, rasteiro, para começar a trilhar o caminho colorado rumo à decisão. Ensina, Fabiana!

No jogo de volta, no Sesc, Simões brilhou com uma assistência, para Rafa Travalão, e um golaço, dos mais bonitos de sua trajetória pelo Inter. Acionada na intermediária de ataque, a poucos passos do círculo central, ela costurou em direção à meia-lua da grande área e, nas cercanias desta, mandou uma folha-seca no ângulo farroupilhense. Na comemoração, a camisa sete mostrou sua sintonia com a essência popular e política do Clube do Povo, celebrando com o punho erguido. Amamos Fabi, amamos o Inter, odiamos o racismo!

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Fabi Simões, ídola do povo! | Foto: João Callegari / SC Internacional

Mais uma final, mais um Gre-Nal. Sétimo da carreira de Fabi Simões, o clássico que decidiu o Gauchão de 2021 foi, também, o mais disputado e parelho dos últimos tempos. Na Arena Cruzeiro, mesmo palco do bicampeonato conquistado pelas Gurias em 2020, as rivais, armadas com a clara intensão de contragolpear, largaram em vantagem logo aos sete, empurrando a pressão para o lado colorado, que sofria para criar boas chances. Somente aos 40, depois de muito insistir na bola aérea, o Inter conseguiu um pênalti.

Fabi Simões contra Lorena. Nas arquibancadas, centenas prendiam a respiração. Em casa, milhares. A minutos do intervalo, as Gurias podiam voltar ao jogo. Grande para a maioria, a responsabilidade da cobrança foi encarada com leveza por quem carrega uma camisa tão pesada quanto Baiana. Rasteira, entre o canto esquerdo e o meio do gol, a batida saiu firme e explodiu nas redes. Recado dado: a Mulher Gre-Nal estava on, e ela queria o Tri!

Inalterado durante os pouco mais de 50 minutos que sucederam o gol de Fabi, o placar de 1 a 1 levou a decisão da taça para os pênaltis. De volta à marca da cal, a 7 colorada se saiu ainda melhor do que durante o confronto, e assim converteu, na quarta batida do Inter, o terceiro tento colorado. De tão tranquila, a ídola alvirrubra pareceu, inclusive, pressionar a gremista que a sucedeu, cuja penalidade foi defendida por Vivi. Pouco depois, a goleira salvaria mais uma, e a conquista estaria garantida.

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Fabi Simões com a Taça do Gauchão Feminino 2021 e de Melhor jogadora | Foto: João Callegari / SC Internacional

Mais um ano para fazer história – 2022

Passados três anos de sua estreia, Fabi Simões segue brilhando com a camisa do Inter. Na atual campanha terceira colocada no Brasileirão A1, dona de quatro vitórias em cinco jogos, a craque, titular tanto do ataque, nas partidas contra Cresspom-DF e Bragantino, quanto da ala-direita, que ocupou diante de São Paulo e Ferroviária, já ofereceu duas assistências e marcou um gol.

Assim, ao lado de suas companheiras, a dona da 7 continua batalhando em busca de feitos ainda mais relevantes para o pioneiro e vencedor Futebol Feminino Colorado.

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Fabi Simões em arte criança e pela torcida Colorada | Foto: Mariana Capra / SC Internacional

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